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Potássio no mar de Sergipe: projeto da South Atlantic Potash ainda não é mina em operação

Projeto offshore da South Atlantic Potash segue em estudo na costa sergipana. Entenda os nove alvos exploratórios, os títulos de pesquisa da ANM, as licenças pendentes e a diferença para a mina de Rosário do Catete.

Capa editorial ilustrativa com navio de perfuração no mar, mapa estilizado de Sergipe, cristais avermelhados de potássio e manchete em português sobre projeto ainda em estudo.
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O projeto de potássio da South Atlantic Potash (SAP) no mar de Sergipe ainda não é uma mina em operação. No anúncio de 27 de outubro de 2026, o Governo de Sergipe informou que a iniciativa, localizada na Bacia de Sergipe-Alagoas, está em fase de avaliação técnica conceitual. Há áreas e ocorrências minerais em estudo, mas ainda são necessárias sondagens confirmatórias, estudos, autorizações e licenciamento antes de uma eventual produção comercial offshore.

O que já foi identificado no litoral sergipano

Segundo o comunicado estadual, que atribui dados à Agência Nacional de Mineração (ANM), a SAP reúne cerca de 189 mil hectares autorizados para pesquisa e delimitou nove alvos exploratórios de silvinita na região do Baixo Mosqueiro. A silvinita é uma rocha que contém minerais de potássio, utilizados na fabricação de fertilizantes. A área mencionada é de pesquisa mineral, não de produção liberada.

O estudo se apoia também em informações históricas da indústria de petróleo e gás. De acordo com os dados apresentados pela empresa no comunicado, quatro poços antigos atravessaram camadas da formação geológica investigada e identificaram silvinita. Em um deles, foi registrada uma camada de 27,5 metros a cerca de 2,5 quilômetros abaixo do leito marinho, em região cuja lâmina d'água é descrita como próxima de 30 metros. Isso não significa que a SAP já tenha executado a campanha de sondagens confirmatórias prevista para o projeto.

Os nove alvos são pontos prioritários para aprofundar a investigação. Eles não constituem, por si só, reservas minerais comprovadas nem demonstram a quantidade que poderia ser extraída com viabilidade econômica. O próprio anúncio estadual reconhece que essa confirmação depende de novas etapas de pesquisa.

Autorização de pesquisa não é concessão para produzir

A ANM diferencia os títulos minerários. O alvará de pesquisa permite realizar estudos para definir uma jazida e avaliar seu possível aproveitamento. Já a concessão de lavra, após os procedimentos e aprovações aplicáveis, é o título relacionado à extração, ao beneficiamento e à comercialização do minério. Portanto, a referência a 189 mil hectares de pesquisa não comprova autorização para iniciar produção industrial.

O licenciamento ambiental é outra exigência, distinta do direito minerário. O Ibama informa que, em regra, empreendimentos desenvolvidos no mar territorial, na plataforma continental ou na zona econômica exclusiva são de competência federal para licenciamento. A localização e os componentes concretos do projeto, inclusive eventuais instalações em terra, precisam ser examinados no processo pertinente.

Na checagem de 28 de outubro de 2026 foram consultadas as orientações e os canais públicos da ANM, mas não se confirmou individualmente o andamento de todos os títulos citados nem se obteve documentação de licença ambiental específica de operação da SAP. As fontes examinadas não demonstram concessão de lavra ou início de extração comercial offshore. Essa ressalva não equivale a certificar a inexistência de qualquer protocolo administrativo.

Como funcionaria a extração proposta

A tecnologia apresentada é a lavra por dissolução. Se o projeto avançar, poços instalados a partir de estruturas no mar permitiriam introduzir água nas camadas de sal, recuperar uma salmoura mineralizada e encaminhá-la a uma unidade de processamento em terra. A proposta prevê separar o cloreto de potássio por processos como evaporação e cristalização. Trata-se da concepção divulgada, não de uma planta comprovadamente construída ou funcionando.

A empresa afirma que o método poderia evitar barragens e rejeitos sólidos típicos de outras rotas de mineração. Essas vantagens alegadas não substituem avaliação de impacto ambiental. O comunicado também prevê atenção à salmoura residual, com estudos de dispersão e mecanismos de controle a serem examinados durante o licenciamento.

Produção e economia previstas não são resultados

A Desenvolve-SE menciona a perspectiva de cerca de 2 milhões de toneladas de potássio por ano. No anúncio de 27 de outubro, o presidente-executivo da SAP, Bonzi Yokomizo, relacionou essa hipótese a aproximadamente 14% da demanda brasileira e a uma eventual redução de gastos com importações entre US$ 600 milhões e US$ 800 milhões por ano, dependendo dos preços internacionais. Todos esses números são projeções apresentadas pela empresa, condicionadas à confirmação dos depósitos, à viabilidade técnica e econômica, às licenças e à implantação.

Não há, nos documentos examinados, comprovação de que a capacidade anunciada tenha sido instalada, de que essa economia tenha ocorrido ou de que novos postos de trabalho tenham sido efetivamente criados pelo projeto marítimo. O memorando de entendimento mencionado pela Desenvolve-SE indica cooperação institucional, não financiamento concluído ou construção entregue.

Por que a mina de Rosário do Catete é diferente

Sergipe já possui produção terrestre de potássio no Complexo Mineroquímico de Taquari-Vassouras, em Rosário do Catete. Essa é uma operação existente, distinta da iniciativa offshore da SAP. Em reportagem de junho de 2026, o veículo Brasil Mineral identificou a Stratos Mineração como operadora do complexo desde novembro de 2025. Assim, não se deve apresentar a produção de Rosário do Catete como resultado do novo estudo no mar.

O que falta para o projeto avançar

A sequência informada para a SAP inclui campanha de sondagem confirmatória offshore, estimativa formal de recursos minerais, estudos de pré-viabilidade e viabilidade, engenharia, licenciamento ambiental e estruturação de financiamento. Cada etapa poderá modificar custos, escala e possibilidade de implantação. O comunicado de 27 de outubro não estabelece uma data comprovada para a entrada em operação comercial.

Até que novos documentos sejam publicados, a leitura correta é a de um potencial geológico em avaliação. Para acompanhar mudanças, será necessário confrontar futuros anúncios com processos e títulos da ANM, registros de licenciamento e resultados técnicos apresentados pela empresa, sem confundir meta de produção com minério efetivamente produzido.

Fontes e referências

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